Alunos, ex-alunos, pais e professores da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, instituição que completará 45 anos em 2013, estão unidos para manter projetos artísticos e pedagógicos, dialogando com os representantes da nova administração e da sociedade. Faça parte deste movimento pró-cultura, educação e arte!
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quarta-feira, 13 de março de 2013
FOLHA DE S.PAULO PUBLICA MATÉRIA SOBRE OS PROBLEMAS DA FUNDAÇÃO DAS ARTES
O jornal Folha de São Paulo publicou nesta quarta-feira matéria sobre os corte de bolsas-estágio na Fundação das Artes de São Caetano do Sul. Clique aqui para acessar a matéria.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
A FUNDAÇÃO DAS ARTES NÃO É O ALCINA
Quem mora e circula em São Caetano já sabe. Para
quem conhece um pouco menos, vale explicar.
“O Alcina” é a Escola Municipal de Ensino Profa.
Alcina Dantas Feijão (antigo Ginásio Comercial), criada em 1967. É a melhor
escola paulista segundo o ENEM 2010 e o IDEB 2012 e atua tanto no Ensino
Fundamental quanto no Ensino Médio. Sempre foi e ainda é um dos orgulhos dos
sancaetanenses. E não é para menos. Um projeto pedagógico consistente,
professores dedicados e atenção ao aluno. Quando estudei na escola, de 1989 a
1991, tive uma formação exemplar. Professores como Pacífico, Silvana, Nelson,
Daphnes, Kaoru, Miriam foram mestres que inspiraram a minha escolha
profissional, ser professor, e proporcionaram que eu passasse no vestibular da
FUVEST aos 17 anos, sem passar por cursinho. Tenho o mais profundo respeito por
esta instituição e assim que soube que a ex-aluna Alessandra de Siqueira
assumiu a direção da escola, mandei uma mensagem torcendo pelo sucesso dessa
escola pela qual tenho o maior carinho.
A Fundação das Artes é uma instituição criada
em 1968 e que atua na educação e formação de artistas nas áreas de artes
visuais, dança, música e teatro. Um dos idealizadores foi Milton Andrade (nosso
diretor por muitos anos), que se valeu do lema do então Prefeito Walter Braido
(“São Caetano, onde escola não é problema”) para propor algo até hoje inovador:
uma fundação municipal que abrigasse escolas para o ensino e formação em artes.
Prestes a completar 45 anos, a instituição é uma referência nacional e
internacional e seus alunos, ex-alunos e professores estão espalhados pelo
mundo todo, inclusive dando aula e trabalhando na instituição. Fui aluno em 1995
e, desde 1998, sou professor desta casa.
Criadas quase na mesma época, são escolas de
referência em suas áreas de atuação e... completamente diferentes. Quem conhece
o Alcina consegue imaginar estas situações: cada aula começando em um horário
diferente, alunos e pais transitando o tempo todo pelos corredores, alunos das
mais diferentes idades convivendo juntos, crianças brincando enquanto aulas de
adultos ocorrem no espaço ao lado, mães conversando dentro da escola enquanto
os filhos fazem aula, alguém estudando em um cantinho enquanto aguarda seu
professor chegar? Não, este não é o Alcina, mas assim é a Fundação das Artes.
E você, que conhece uma escola de artes como a
Fundação, consegue imaginar todos os alunos, separados por idade, entrando e
saindo ao mesmo tempo, com intervalos comuns, sem a circulação diária, o dia
todo, de pessoas dando movimento ao espaço, sem alunos tocando instrumentos ao
lado de pequenas bailarinas correndo e aprendizes-atores animadamente entoando
“A morte de Afonso VI”, com inspetores de corredor monitorando o que acontece?
Não, pois isso se parece com o Alcina. No entanto, os inspetores já estão
instalados nos corredores da Fundação das Artes a partir de 2013.
Teixeira Coelho, curador do MASP e um dos grandes
pensadores sobre ação cultural, diz que a cultura pode ser entendida como “uma
larga conversa”. Afirma que a gestão “deve fazer a viagem da cultura e não o
contrário”. Em outras palavras, o que ele diz é que a cultura e as artes
necessitam de processos administrativos que entendam sua natureza, sem submeter
esta mesma cultura apenas a planilhas e à uma visão legalista. A arte precisa
de espaço e de condições para respirar e florescer, não de monitoramento e
controle.
Quando foram os divulgados os nomes que comporiam a
equipe de Gestão da área da Cultura em São Caetano, circulou a expressão
“República do Alcina”, uma alusão ao fato de que vários professores da Escola
estavam assumindo cargos comissionados na Secult e Fundação das Artes. Em
princípio, essa parecia uma boa notícia, afinal, o Alcina sempre foi
reconhecido pela qualidade de seus professores e pelo seu excelente trabalho na
cidade.
No entanto, o que se viu foi um conjunto de
pequenas ações desastrosas nesse início de administração, principalmente
porque, pelo que se pôde entender até o presente momento, o trabalho feito ao
longo dos últimos anos foi desconsiderado. Eu não acredito que uma instituição
como a Fundação necessite de um artista na administração. Mas, é imprescindível
que seja constituída uma equipe que compreenda a dimensão educativa da cultura
e que, principalmente, construa as políticas públicas com transparência e com
diálogo – o que não aconteceu.
Em 45 dias, uma trajetória de 45 anos foi
desconsiderada. Professores e alunos foram desrespeitados e o trabalho de
décadas jogado na simples vala da “ilegalidade”, sem contar o incentivo ao
discurso bairrista e pouco republicano de que “quem tem realmente direito é o
munícipe”, desconsiderando o fato de que a instituição sempre teve um caráter
nacional/internacional e tem parte de seus recursos financiados por
mensalidades de alunos de outras cidades (e de outros estados também). Elos de
confiança não foram construídos; a incerteza e desconfiança imperam. A experiência
conjunta e compartilhada entre profissionais de ambas as instituições, que
poderia contribuir para a construção de uma cidade que, de fato, seja de todos
nós, ainda não ocorreu.
Na Fundação, professores e alunos estão aflitos, aguardando outras medidas concretas, um novo posicionamento oficial da Prefeitura e, principalmente, canais legítimos de diálogo e transparência. De seu lado, a comunidade da Escola instituirá nesta semana de 18 de fevereiro de 2013, uma comissão mista formada por professores, alunos, ex-alunos e pais para dialogar e exigir a resolução da situação.
O diálogo foi recentemente aberto pelo Chefe de Gabinete, Sr. Eduardo Casonato, e pela Presidente da Fundação Pró-Memória e integrante do Conselho de Curadores da Fundação das Artes, Sra. Sônia Xavier, os quais, sensíveis a esta situação, já se mostraram dispostos a medidas concretas de curto prazo, anunciadas inclusive.
O diálogo foi recentemente aberto pelo Chefe de Gabinete, Sr. Eduardo Casonato, e pela Presidente da Fundação Pró-Memória e integrante do Conselho de Curadores da Fundação das Artes, Sra. Sônia Xavier, os quais, sensíveis a esta situação, já se mostraram dispostos a medidas concretas de curto prazo, anunciadas inclusive.
Nesta segunda-feira, 18 de fevereiro, às 18h, temos uma reunião com a Direção Geral da Fundação das Artes. Dia 20 de fevereiro, também às 18h, haverá uma Assembleia Geral no saguão da Fundação, para compartilhar com toda a comunidade a situação. E, na sexta-feira, às 9h, ocorrerá uma reunião entre a Comissão da Escola e o Chefe de Gabinete da Prefeitura.
A definição de Teixeira Coelho sobre cultura pode parecer simples, mas em tempos difíceis é a simplicidade que pode resolver as coisas. A Fundação não é uma escola de ensino regular como o Alcina. Por seu lado, o Alcina não é uma escola de artes como a Fundação. Mas as experiências dos profissionais de ambas as instituições podem construir coisas muito bacanas, das quais a cidade poderá sempre se orgulhar. Basta, para isso, construir uma administração que acredite, de verdade, que a cultura pode e deva ser, sempre, “uma larga e boa conversa”.
A definição de Teixeira Coelho sobre cultura pode parecer simples, mas em tempos difíceis é a simplicidade que pode resolver as coisas. A Fundação não é uma escola de ensino regular como o Alcina. Por seu lado, o Alcina não é uma escola de artes como a Fundação. Mas as experiências dos profissionais de ambas as instituições podem construir coisas muito bacanas, das quais a cidade poderá sempre se orgulhar. Basta, para isso, construir uma administração que acredite, de verdade, que a cultura pode e deva ser, sempre, “uma larga e boa conversa”.
Pois é exatamente isso que alunos, ex-alunos, pais e professores esperam desta semana: que tenhamos largas e boas conversas.
Sérgio de Azevedo, 38
anos, é ex-aluno de administração do Alcina Dantas Feijão e de teatro da
Fundação das Artes, quase matemático pela USP, publicitário formado pela USCS,
especialista em gestão cultural pela Universidade de Girona/Itaú
Cultural, mestre em artes pela USP, professor de produção cultural na FAAP
e de teatro na FASCS, iluminador nas horas vagas e tenista somente nas férias.
Inspirado em José Saramago, adora dizer que é um homem a procura de uma ilha -
uma forma poética de proclamar sua inquietação.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Trupe Sinhá Zózima publica carta de apoio ao movimento Fundação das Artes Faço Parte
sempre é bom saber que,
quase sempre não temos a real noção das ações e
de suas consequências.
A
Trupe Sinhá Zózima grupo brasileiro de teatro que pesquisa o ônibus urbano como
espaço cênico, formou-se, em 2007 logo após o curso de formação de atores na
Fundação das Arte de São Caetano do Sul, e vem por meio desta, manifestar sua
tristeza em relação ao que tem ocorrido na instituição, esta, que
orgulhosamente foi e é sua referência nos estudos, práticas e encontros com
artistas formados ou em processo de formação pela instituição.
Através
da pesquisa continuada de teatro dentro do ônibus urbano em movimento e da
residência artística no Terminal Parque Dom Pedro II (projeto contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro no Município de São
Paulo), espaço onde circula diariamente mais de 200 mil pessoas, onde 75%
são pessoas que nunca tiveram acesso e nenhum contato com uma expressão
artística, a Trupe vem promovendo o encontro com o sonho antigo de que a arte é
direito de todos e dever do poder público em fomentar ações que possibilitam
esta experiência. A Trupe Sinhá Zózima passou por vários estados brasileiros e
também no continente europeu e sempre, desde sua origem faz questão de dizer: foi
formada pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul! Pelo carinho, respeito,
confiança que a instituição, seus mestres, alunos e funcionários sempre tiveram
conosco. Mas, principalmente, pela oportunidade de aprendizado, de acesso a
arte, pois vivemos num pais que o acesso á arte é cada vez mais privilégio de
poucos.
Saber
por exemplo que a bolsa estudo foi cortada para alunos que não residem em São
Caetano do Sul, é saber que um passo foi dado para trás, que o acesso não será
mais permitido, é saber que um dos fundadores da Trupe Sinhá Zózima que mora no
extremo leste de São Paulo, que viajava cinco horas por dia para ir a Fundação
das Artes não conseguiria finalizar seus estudos, pois por um ano e meio este
auxílio fomentou seus estudos, fomentou o seu encontro com estudantes de São
Caetano do Sul, fomentou a esperança que o Teatro no ônibus seria possível, que
o encontro de alunos de São Paulo, São Bernardo do Campo e São Caetanos do Sul
na Fundação das Artes formaria a Trupe Sinhá Zózima e a realização de mais de quatrocentas
apresentações pelo Brasil e mundo a fora, o encontro com mais de 12.800
passageiros espectadores.
Por
esse e outros cortes é que repudiamos esta ação e pedimos diálogo, soluções,
força de vontade e reflexão do poder público, dos artistas e da sociedade. A
Trupe Sinhá Zózima está à disposição, está atenta, estamos com os alunos,
mestres e ex-alunos. Estamos e sempre estaremos pelo direito ao acesso e o
encontro da arte com o cidadão, independente de onde ele esteja, pois lutamos
por um teatro do encontro sem fronteiras.
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