Mostrando postagens com marcador fundação das artes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fundação das artes. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de março de 2013

COMISSÃO DA FUNDAÇÃO DAS ARTES CADASTRA MANIFESTAÇÕES NA OUVIDORIA PÚBLICA MUNICIPAL

A Comissão Mista de Diálogo Pró-Fundação das Artes, representando a comunidade da instituição, sentindo-se lesada pela falta de respostas oficiais da Secretaria Municipal de Cultura e Fundação das Artes prometidas para o dia 18 de fevereiro de 2013, 37 dias após o primeiro documento ser protocolado sem devolutiva e exercendo o direito previsto no artigo 7º da Lei 3.494 de 10 de janeiro de 1997, decidiu manifestar, uma a uma, todas as demandas elencadas por pais, alunos e professores da Fundação das Artes na Ouvidoria Pública Municipal de São Caetano do Sul.

A Comissão espera, com esta medida, ter o direito de acesso às informações atendido, de forma que toda a comunidade possa, de fato, estabelecer um diálogo efetivo com a nova administração e os representantes da Secretaria Municipal de Cultura e Fundação das Artes.

Assim que as respostas forem encaminhadas, divulgaremos as informações em nossos canais de comunicação para ciência de toda a sociedade.

Aproveitamos o ensejo para divulgar este importante canal de comunicação do cidadão com a administração municipal. Basta acessar o seguinte endereço e cadastrar sua manifestação: http://www.saocaetanodosul.sp.gov.br/ouvidoria.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Caminhada Artística pelo Plano Municipal de Cultura


Alunos, ex-alunos, pais e professores da Fundação das Artes e artistas da região organizam Caminhada Artística em prol da Fundação das Artes e pela aprovação do Plano Municipal de Cultura
Artistas de diferentes segmentos, alunos, ex-alunos e professores da Fundação das Artes e diversos setores da Sociedade Civil organizam Caminhada Artística pela aprovação do Plano Municipal de Cultura em prol da Fundação das Artes.

Na próxima quinta-feira, dia 21 de fevereiro de 2013, artistas, estudantes e professores de arte e representantes da sociedade civil farão uma Caminhada Artística em prol da Fundação das Artes e pela Aprovação do Plano Municipal de Cultura de São Caetano do Sul.

“Eu aprovo!”, como foi batizada essa iniciativa, é um movimento em prol da participação social na construção de políticas públicas e no desenvolvimento da cidadania. O primeiro foco desde movimento é a aprovação do Plano Municipal de Cultura, documento aprovado pelo Ministério da Cultura que foi construído em 2012 a partir três aspectos principais: participação social, a consultoria técnica do Ministério da Cultura (MinC) e o envolvimento da gestão municipal.

O Município de São Caetano aderiu, em 2012, ao Sistema Nacional de Cultura foi contemplado em um projeto da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do MinC, que fez assessoria técnica para elaboração do Plano. Ao longo de 2012, foram feitos 35 encontros públicos e uma Conferência Municipal, nos quais todos os pontos foram discutidos. O resultado do trabalho, fruto da participação de mais de 500 pessoas, é um Plano com 210 ações, indicadores e uma metodologia muito elogiada pelo MinC (servirá de referência para outras cidades) aguarda, desde o ano passado, aprovação na Câmara. Na última sessão ordinária de 2012, mais de 100 alunos e estudantes da Fundação das Artes, artistas e cidadãos manifestaram seu apoio para a aprovação do projeto. O Plano prevê a manutenção de várias ações culturais, como as bolsas de estudo para estudantes da Fundação das Artes, grupos musicais, reforma de equipamentos e plano de carreira para funcionários da cultura – questões muito discutidas na cidade neste momento, por conta da novas medidas administrativas que foram duramente questionadas por toda a comunidade de alunos, ex-alunos, pais e professores da Fundação das Artes. 

A partir das 18h30, a concentração ocorrerá ao lado do Teatro Municipal Santos Dumont, Av. Goiás, 1.111, B. Santa Paula. A partir das 19h, os participantes caminharão 450 metros pela calçada da principal avenida de São Caetano do Sul em direção à Câmara Municipal, situada na mesma via, na altura do número 600. Às 19h30, os manifestantes participarão, no plenário da Câmara, da posse do Conselho Municipal de Política Cultural, biênio 2013-2014. Pedirão pela aprovação do Plano Municipal de Cultura e se manifestarão pela cultura em São Caetano do Sul e em prol da Fundação das Artes. Será um ato artístico e lúdico. A proposta é que as pessoas venham com camisetas ligadas a movimentos culturais ou com figurinos de espetáculos. Musicistas comparecerão com seus instrumentos.

Clique aqui para ver matéria do ABC Repórter sobre a Caminhada Artística:
Confirme aqui sua presença e divulgue a caminhada através do Facebook:

Sobre o Plano Municipal de Cultura
Projeto de lei que está na Câmara Municipal elaborado pela Secretaria Municipal de Cultura e sociedade civil em 2012, com apoio do Ministério da Cultura e Universidade Federal da Bahia. Para saber mais, acesse: www.planomunicipaldecultura.com.br (página do projeto MinC-UFBA).

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Veja nova matéria do Diário do Grande ABC sobre a Fundação das Artes


"S.Caetano quer recuperar os espaços artísticos", matéria de Thiago Mariano publicada no Diário do Grande ABC em 18 de fevereiro de 2013.

A FUNDAÇÃO DAS ARTES NÃO É O ALCINA


Quem mora e circula em São Caetano já sabe. Para quem conhece um pouco menos, vale explicar.

“O Alcina” é a Escola Municipal de Ensino Profa. Alcina Dantas Feijão (antigo Ginásio Comercial), criada em 1967. É a melhor escola paulista segundo o ENEM 2010 e o IDEB 2012 e atua tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio. Sempre foi e ainda é um dos orgulhos dos sancaetanenses. E não é para menos. Um projeto pedagógico consistente, professores dedicados e atenção ao aluno. Quando estudei na escola, de 1989 a 1991, tive uma formação exemplar. Professores como Pacífico, Silvana, Nelson, Daphnes, Kaoru, Miriam foram mestres que inspiraram a minha escolha profissional, ser professor, e proporcionaram que eu passasse no vestibular da FUVEST aos 17 anos, sem passar por cursinho. Tenho o mais profundo respeito por esta instituição e assim que soube que a ex-aluna Alessandra de Siqueira assumiu a direção da escola, mandei uma mensagem torcendo pelo sucesso dessa escola pela qual tenho o maior carinho.

A Fundação das Artes é uma instituição criada em 1968 e que atua na educação e formação de artistas nas áreas de artes visuais, dança, música e teatro. Um dos idealizadores foi Milton Andrade (nosso diretor por muitos anos), que se valeu do lema do então Prefeito Walter Braido (“São Caetano, onde escola não é problema”) para propor algo até hoje inovador: uma fundação municipal que abrigasse escolas para o ensino e formação em artes. Prestes a completar 45 anos, a instituição é uma referência nacional e internacional e seus alunos, ex-alunos e professores estão espalhados pelo mundo todo, inclusive dando aula e trabalhando na instituição. Fui aluno em 1995 e, desde 1998, sou professor desta casa.

Criadas quase na mesma época, são escolas de referência em suas áreas de atuação e... completamente diferentes. Quem conhece o Alcina consegue imaginar estas situações: cada aula começando em um horário diferente, alunos e pais transitando o tempo todo pelos corredores, alunos das mais diferentes idades convivendo juntos, crianças brincando enquanto aulas de adultos ocorrem no espaço ao lado, mães conversando dentro da escola enquanto os filhos fazem aula, alguém estudando em um cantinho enquanto aguarda seu professor chegar? Não, este não é o Alcina, mas assim é a Fundação das Artes.

E você, que conhece uma escola de artes como a Fundação, consegue imaginar todos os alunos, separados por idade, entrando e saindo ao mesmo tempo, com intervalos comuns, sem a circulação diária, o dia todo, de pessoas dando movimento ao espaço, sem alunos tocando instrumentos ao lado de pequenas bailarinas correndo e aprendizes-atores animadamente entoando “A morte de Afonso VI”, com inspetores de corredor monitorando o que acontece? Não, pois isso se parece com o Alcina. No entanto, os inspetores já estão instalados nos corredores da Fundação das Artes a partir de 2013. 

Teixeira Coelho, curador do MASP e um dos grandes pensadores sobre ação cultural, diz que a cultura pode ser entendida como “uma larga conversa”. Afirma que a gestão “deve fazer a viagem da cultura e não o contrário”. Em outras palavras, o que ele diz é que a cultura e as artes necessitam de processos administrativos que entendam sua natureza, sem submeter esta mesma cultura apenas a planilhas e à uma visão legalista. A arte precisa de espaço e de condições para respirar e florescer, não de monitoramento e controle.

Quando foram os divulgados os nomes que comporiam a equipe de Gestão da área da Cultura em São Caetano, circulou a expressão “República do Alcina”, uma alusão ao fato de que vários professores da Escola estavam assumindo cargos comissionados na Secult e Fundação das Artes. Em princípio, essa parecia uma boa notícia, afinal, o Alcina sempre foi reconhecido pela qualidade de seus professores e pelo seu excelente trabalho na cidade.

No entanto, o que se viu foi um conjunto de pequenas ações desastrosas nesse início de administração, principalmente porque, pelo que se pôde entender até o presente momento, o trabalho feito ao longo dos últimos anos foi desconsiderado. Eu não acredito que uma instituição como a Fundação necessite de um artista na administração. Mas, é imprescindível que seja constituída uma equipe que compreenda a dimensão educativa da cultura e que, principalmente, construa as políticas públicas com transparência e com diálogo – o que não aconteceu.

Em 45 dias, uma trajetória de 45 anos foi desconsiderada. Professores e alunos foram desrespeitados e o trabalho de décadas jogado na simples vala da “ilegalidade”, sem contar o incentivo ao discurso bairrista e pouco republicano de que “quem tem realmente direito é o munícipe”, desconsiderando o fato de que a instituição sempre teve um caráter nacional/internacional e tem parte de seus recursos financiados por mensalidades de alunos de outras cidades (e de outros estados também). Elos de confiança não foram construídos; a incerteza e desconfiança imperam. A experiência conjunta e compartilhada entre profissionais de ambas as instituições, que poderia contribuir para a construção de uma cidade que, de fato, seja de todos nós, ainda não ocorreu.

Na Fundação, professores e alunos estão aflitos, aguardando outras medidas concretas, um novo posicionamento oficial da Prefeitura e, principalmente, canais legítimos de diálogo e transparência. De seu lado, a comunidade da Escola instituirá nesta semana de 18 de fevereiro de 2013, uma comissão mista formada por professores, alunos, ex-alunos e pais para dialogar e exigir a resolução da situação.

O diálogo foi recentemente aberto pelo Chefe de Gabinete, Sr. Eduardo Casonato, e pela Presidente da Fundação Pró-Memória e integrante do Conselho de Curadores da Fundação das Artes, Sra. Sônia Xavier, os quais, sensíveis a esta situação, já se mostraram dispostos a medidas concretas de curto prazo, anunciadas inclusive.

Nesta segunda-feira, 18 de fevereiro, às 18h, temos uma reunião com a Direção Geral da Fundação das Artes. Dia 20 de fevereiro, também às 18h, haverá uma Assembleia Geral no saguão da Fundação, para compartilhar com toda a comunidade a situação. E, na sexta-feira, às 9h, ocorrerá uma reunião entre a Comissão da Escola e o Chefe de Gabinete da Prefeitura. 

A definição de Teixeira Coelho sobre cultura pode parecer simples, mas em tempos difíceis é a simplicidade que pode resolver as coisas. A Fundação não é uma escola de ensino regular como o Alcina. Por seu lado, o Alcina não é uma escola de artes como a Fundação. Mas as experiências dos profissionais de ambas as instituições podem construir coisas muito bacanas, das quais a cidade poderá sempre se orgulhar. Basta, para isso, construir uma administração que acredite, de verdade, que a cultura pode e deva ser, sempre, “uma larga e boa conversa”. 

Pois é exatamente isso que alunos, ex-alunos, pais e professores esperam desta semana: que tenhamos largas e boas conversas.


Sérgio de Azevedo, 38 anos, é ex-aluno de administração do Alcina Dantas Feijão e de teatro da Fundação das Artes, quase matemático pela USP, publicitário formado pela USCS, especialista em gestão cultural pela Universidade de Girona/Itaú Cultural, mestre em artes pela USP, professor de produção cultural na FAAP e de teatro na FASCS, iluminador nas horas vagas e tenista somente nas férias. Inspirado em José Saramago, adora dizer que é um homem a procura de uma ilha - uma forma poética de proclamar sua inquietação.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Informe sobre a situação na Fundação das Artes - 14/02/2013


por Sérgio de Azevedo

O Chefe de Gabinete do Prefeito Paulo Pinheiro, Sr. Eduardo Casonato, entrou em contato hoje. Foi informado o seguinte:
Acerca do Polo Cultural Casa de Vidro [que é situado ao lado do Teatro Santos Dumont], disse que "o espaço estará disponível para ensaios e apresentações da Fundação das Artes. Já há uma exposição agendada pela Fundação Pró-Memória que ocupará momentaneamente o local. No entanto, será feita uma articulação da agenda para que esta questão seja contornada e as atividades realizadas". 

Há uma reunião amanhã, na Fundação das Artes, para tratar deste assunto e resolver questões operacionais. Detalhes serão postados após essas reuniões. Casonato ressaltou que as outras questões estão sendo tratadas pela Chefia de Gabinete e pela equipe da área da Cultura.
Vale destacar que todos, professores, alunos, sociedade civil e política, querem ver a situação da Fundação das Artes resolvida. O diálogo, fundamental na construção da cidadania e das políticas públicas, foi iniciado e, para que tudo seja resolvido, precisa ser mantido e aprofundado.
Aguardamos o posicionamento e resposta da Prefeitura acerca das outras questões, dentre outras já protocoladas em documentos apresentados por alunos e professores: auxílio-estudo para os monitores, retorno dos coordenadores democraticamente eleitos, manutenção da eleição para a função de coordenador de área, aprovação do calendário acadêmico e artístico- cultural e apresentação do Plano de Trabalho 2013 da Fundação das Artes - o que deve ocorrer na reunião de segunda-feira, dia 18/02, às 18h.
Professores da Fundação das Artes se reuniram, nesta quinta-feira, dia 14/2, das 14h às 17h, em reunião deliberativa. Um documento foi elaborado e será apresentado às autoridades para que esclarecimentos sejam feitos.
Aproveitamos para informar que amanhã, sexta-feira, 15 de fevereiro, será constituída, oficialmente, uma Comissão Mista com representantes eleitos de alunos, ex-alunos, pais e professores. Esta Comissão será responsável por mediar e intermediar a solução dos problemas que surgiram a partir das medidas tomadas pela nova administração e, também, pela publicação, nas mídias sociais e no blog #fundaçãodasartesfaçoparte, de informações acerca da situação e resumo de reuniões - de forma que cidadãos e a imprensa acompanhem o andamento do processo e, desejamos, a resolução de todos os problemas.

Senhores é tempo de diálogo!


A Fundação das Artes sempre esteve em crise e isto é um fato. Sua existência é fruto da persistência. Acredito sim que há muito para se mudar. Creio que todos querem mudanças. Mas é preciso estar aberto para ouvir. É preciso conhecer a história e o funcionamento da instituição. Espero que haja humildade para que se reconheçam as falhas de comunicação e conduta antes que comecem a se repetir as histórias. A FASCS é uma escola de ARTES e precisa ser administrada por um gestor que compreenda suas especificidades. Tomara que se estabeleça o diálogo, pois não quero abrir o jornal e dar de cara com uma notícia como a publicada no Diário do Grande ABC, na sexta-feira, 11 de março de 1983:

MEIO CULTURAL CONTRA A EXTINÇÃO DA FUNDAÇÃO
A Fundação das Artes de São Caetano deve ser mantida a qualquer custo. Esta é a opinião de três pessoas ligadas à Cultura no Grande ABC, discordando do presidente do Conselho de Curadores da instituição, Ítalo Dal’Mas, que afirmou na última terça-feira não pretender salvar a entidade, caso seu objetivo de manter as escolas de arte não seja seguido à risca.
            O secretário de Educação, Cultura e Esportes de Santo André, Durval Daniel, disse que a Fundação, assim como todos os núcleos culturais da região, têm de ser preservados, porque a área cultural está completamente desativada. José Armando Pereira da Silva, ex-curador da instituição e produtor cultural de Santo André, considerou que Ítalo Dal’Mas desconhece o significado das atividades da Fundação das Artes em seus 15 anos de existência e não tem condições de avaliar a situação da entidade porque não acompanhou de perto o trabalho. Por sua vez, o ex-secretário de Educação, Cultura e Esportes de São Bernardo do Campo e deputado estadual, Fernando Leça, afirmou que não tinha consciência, antes das declarações do presidente do Conselho de Curadores dos perigos que cercavam a sobrevivência da entidade.
Ítalo Dal’Mas publicou um artigo, sábado, num jornal de São Caetano, onde emite várias opiniões acerca da instituição dizendo que “razões de sobra possuem os que, como o prefeito Walter Braido, manifestaram-se favoráveis à extinção da Fundação das Artes”. Segundo declarou na última terça-feira, os objetivos da entidade foram desvirtuados, porque ela reduziu-se a festivais artísticos e promocionais, e transformou-se em mero centro de distrações ou de “ocupações de funcionários relapsos e de curadores ociosos que fazem o jogo das trocas ou se limitam a realizar exibições supostamente modernas”.
Durval Daniel disse ontem que considera Ítalo Dal’Mas uma pessoa competente que saberá contornar essa situação para manter a Fundação das Artes. “Se existem desvios, eles devem ser corrigidos. O Grande ABC está ruim na área cultural, e por isso, a Fundação tem de ser preservada” – salientou o secretário.
José Armando Pereira da Silva disse que a atitude de Ítalo Dal’Mas, ao fazer aquelas declarações, é totalmente errada e mostra que ele desconhece as atividades da instituição. “Só uma pessoa provinciana como ele demonstra ser em suas crônicas de jornal é capaz de ter essa opinião. Ele não tem a menor condição de avaliar a entidade, porque não acompanhou o trabalho que vem sendo desenvolvido nestes 15 anos de sua existência” – observou, acrescentando: “É lamentável a Administração conhecer os 15 anos de Fundação das Artes, tirar Milton Andrade da direção e colocar como presidente do Conselho de Curadores uma pessoa totalmente desligada da atividade artística da região”.
O deputado Fernando Leça, que a partir do dia 15 assume sua cadeira na Assembleia Legislativa prometendo lutar pela educação e cultura da região, considerou as declarações e os conceitos emitidos pelo presidente do Conselho de Curadores revelam alguma confusão e acentuada incoerência: “Primeiro, o sr. Dal’Mas reconhece razões de sobra às pessoas – entre as quais inclui o prefeito Walter Braido que propugnam pela extinção da entidade. Logo depois, reconhece também os nobres objetivos da instituição. E arrematando a contradição, mas assumindo-a implicitamente, afirma que não lhe passa pela cabeça a ideia de salvar a Fundação”.
Prosseguindo em depoimento, Leça coloca: “Se formos levados a concordar com a análise do sr. Dal’Mas e admitir a veracidade de suas acusações quanto aos desvios de finalidade da Fundação e a falta de seriedade no emprego dos dinheiros públicos que lhe tem sido destinados, ainda assim não poderíamos jamais concordar com a terapia suicida que se preconiza. Faltam-me elementos para contestar o seu diagnóstico, mas não posso aceitar a ideia de que a solução seja matar o doente. Nego-me a acreditar, como já disse em outra oportunidade, que o Prefeito Walter Braido, criador da Fundação das Artes, se disponha agora a extinguí-la”.
Ele disse que não conhece os estatutos da entidade e os detalhes do seu funcionamento interno, e não está em condições de emitir juízo de valor sobre descompasso eventual entre uma coisa e outra, mas considera também natural que a sua filosofia de ação seja reajustada. “O que não posso admitir é a simples cogitação, a mera hipótese de dar cabo a uma experiência tão rica e tão consistente como é a escola de música mantida pela Fundação das Artes, além de outras de suas atividades. Reitero a convicção de que o prefeito Walter Braido não compartilha da ideia de fechar a entidade. Pretendo procura-lo, para certificar-me pessoalmente disso e espero fortalecer essa certeza” – comentou o deputado.
Fernando Leça propôs-se, caso as dificuldades da instituição sejam de ordem financeira – já que ela é subsidiada apenas pela Prefeitura de São Caetano -, a levar ao governador Franco Montoro e ao futuro secretário de Cultura do Estado, deputado Pacheco e Chaves, a reivindicação de uma ajuda por parte do Estado, através de um convênio ou qualquer outra forma. “Acho até justo que isso aconteça” – finalizou.

Tomara que isto seja apenas um registro de um passado distante.


Paula Venâncio
Mestre em Comunicação. Jornalista. Pesquisadora do Teatro no ABC. Artista do subúrbio. Moradora de São Caetano do Sul. Atriz formada pela FASCS. Ex-aluna bolsista (período em que ainda morava em Santo André) da escola de teatro e de artes visuais.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Diário do Grande ABC publica primeira matéria sobre as mudanças na FASCS

O jornal regional do ABC Paulista publica matéria com as primeiras informações sobre as mudanças administrativas na Fundação das Artes. Traz entrevistas com alunos e a nova equipe administrativa da instituição. (clique aqui para ler a matéria na íntegra)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CRONOLOGIA

2012
07/10 - Paulo Pinheiro, do PMDB, vence eleição em São Caetano do Sul.
17/10 - O Conselho de Curadores da Fundação das Artes, em reunião ordinária, define a elaboração de relatórios de transição e prazos de entrega dos mesmos.
26/10 - Em reunião pública do Conselho de Política Cultural, a então Secretária de Cultura Adriana Sampaio disponibiliza para o Prefeito eleito equipe para o processo de transição.
11/12 - É anunciado o futuro Secretário Municipal de Cultura, Jander Cavalcanti de Lira. Nesta mesma data o Plano Municipal de Cultura de São Caetano poderia ter sido aprovado na Câmara Municipal, mas não entrou em votação, apesar da presença de mais de 100 pessoas em aberto apoio à aprovação.
17/12 - Coordenadores de área e responsáveis pelos diversos setores da Fundação das Artes apresentam ao Conselho de Curadores relatório de todas as áreas administrativas e escolas. Preparada como atividade de transição, a reunião não recebe nenhum representante do novo governo.
28/12 - Encerrado o expediente de 2012, nenhum relatório de transição é transferido para a nova equipe ou atividade conjunta é realizada, uma vez que nenhum integrante do novo governo procura a equipe da Fundação das Artes.

2013
01/01 - Vagner Perton é anunciado Diretor Geral da Fundação das Artes.
02/01 - O novo diretor se apresenta pela primeira vez. Motivadas pelos colaboradores antigos, são iniciadas reuniões conjuntas. Na primeira e segunda semanas, são transferidos processos administrativos e informações acerca da Fundação das Artes.  A maioria dos funcionários está em período de férias e embora se disponibilizem para reuniões, não são convidados para nenhuma atividade conjunta.  
14/01 – Coordenadores das Escolas são informados de que não podem realizar nenhum tipo de atividade na Fundação por conta do período de férias.
01/02, 14h – No primeiro de retorno às atividades, em uma reunião entre a nova administração e os coordenadores das escolas, são apresentadas algumas das novas medidas. 01/02, 15h – Em reunião conjunta entre a equipe da nova administração, coordenadores destituídos e mais de sessenta professores da Fundação das Artes, são elencadas as medidas: (1) corte de despesas, (2) destituição dos coordenadores eleitos e mudança na forma de ocupação da função, os quais passariam a ser indicados pela Direção Pedagógica, (3) redução da carga horária de professores, (4) anulação do Plano de Trabalho e Calendário Artístico Cultural aprovado no ano anterior, (5) cancelamento do uso dos teatros municipais Santos Dumont e Paulo Machado de Carvalho para atividades de alunos da Fundação, (6) suspensão do Programa de Auxílio-Estudo e (7) transferência do Polo Cultural Casa de Vidro para a Fundação Pró-Memória. Depois de apenas 1 hora, a reunião é encerrada e a Diretora Pedagógica inicia a distribuição da Atribuição de aulas, sem conseguir concluir a tarefa. O espaço físico da Fundação das Artes já está modificado: mesas e computadores de coordenadores já foram deslocados para outros setores.
02/02 – São iniciadas as aulas. Os alunos são informados das novas medidas pelos próprios professores, uma vez que a nova administração não faz um pronunciamento oficial. Cria-se um ambiente de dúvida e incertezas.
04/02 – Por conta da forma como foi conduzida a retomada dos trabalhos, seis coordenadores destituídos e desligados protocolam uma carta solicitando esclarecimentos da nova administração. Diante das novas medidas, os alunos das Escolas de Música e Teatro exigem posicionamento da Escola. Constituem uma comissão mista de alunos e exigem esclarecimentos da Diretora Pedagógica, Sra. Noemi Munhoz. Diante de mais de 200 alunos e professores, a Diretora reitera as medidas e questionada, informa que “não pode fazer nada” e que quem estiver insatisfeito pela perda do auxílio-estudo “deve se mudar para São Caetano”. É iniciada uma intensa campanha pelas mídias sociais contra as novas medidas e a forma como o processo está sendo conduzido.
05/02 – Ex-alunos publicam nas mídias sociais manifesto de repúdio às novas medidas e de apoio ao movimento de alunos e professores.
06/02 – É publicada matéria no jornal Diário do Grande ABC sobre a situação da Fundação das Artes. Alunos da Escola de Música e da Escola de Teatro realizam manifestação artística no saguão da Fundação das Artes com a presença de mais de 300 pessoas. Vagner Perton (Diretor Geral), Noemi Munhoz (Diretora Pedagógica) e Alex Campos (Assessor Jurídico) recebem mais de 300 pessoas no Teatro Timochenco Wehbi, interditado desde o ano passado. Reforçam as medidas mais uma vez e durante quase 4 horas, não apresentam soluções para os problemas criados pelas novas medidas. Alunos da Escola de Música e de Teatro entregam cartas construídas coletivamente exigindo esclarecimentos da nova administração. É iniciada uma intensa campanha pelas mídias sociais contra as novas medidas e a forma como o processo está sendo conduzido.
07/02 – A intensa campanha realizada nas mídias sociais aumenta de forma geométrica. É criado o movimento Alerta Fundação das Artes. O Blog de Luis Nassif, de grande audiência em todo o Brasil, publica a primeira nota sobre o assunto. Cooperativa Paulista de Teatro entra em contato para entender a situação. Alunos, professores, pais, ex-alunos explicitam sua insatisfação com a situação. A Prefeitura de São Caetano do Sul publica a primeira nota oficial sobre a questão, destacando a ilegalidade da concessão do benefício do auxílio-estudo destacando que “essa atitude da Prefeitura de São Caetano do Sul, por meio de sua Secretaria de Cultura, está sendo adotada para garantir as bolsas de estudos a quem realmente tem direito, ou seja, os contribuintes da cidade.” Inicia-se intenso debate acerca da questão e o posicionamento da Prefeitura passa a ser criticado por vários setores e segmentos da sociedade.
08/02 – O Jornal ABCD Maior publica matéria parcial e unilateral a partir de entrevista concedida pelo Secretário Municipal de Cultura Jander Cavalcanti de Lira em que se afirma que o novo governo estava acabando com esquema de horas extras na Fundação das Artes. O Diretório Municipal do PSOL de São Caetano publica nota de repúdio à nota oficial da Prefeitura. O Deputado Federal Ivan Valente também se posiciona contra as medidas da Prefeitura. A Cooperativa Paulista de Teatro também publica nota em seu site acerca do movimento de alunos e professores. Um grupo de 5 professores e 10 alunos é recebido pelo Chefe de Gabinete, Eduardo Casonato, em reunião em que todos os problemas são apresentados. Fica a promessa de um novo posicionamento da Prefeitura a respeito da situação. 

10/02 - O Blog de Luis Nassif publica a segunda nota sobre o assunto.