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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Trupe Sinhá Zózima publica carta de apoio ao movimento Fundação das Artes Faço Parte



sempre é bom saber que,
quase sempre não temos a real noção das ações e de suas consequências.
A Trupe Sinhá Zózima grupo brasileiro de teatro que pesquisa o ônibus urbano como espaço cênico, formou-se, em 2007 logo após o curso de formação de atores na Fundação das Arte de São Caetano do Sul, e vem por meio desta, manifestar sua tristeza em relação ao que tem ocorrido na instituição, esta, que orgulhosamente foi e é sua referência nos estudos, práticas e encontros com artistas formados ou em processo de formação pela instituição.
Através da pesquisa continuada de teatro dentro do ônibus urbano em movimento e da residência artística no Terminal Parque Dom Pedro II (projeto contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro no Município de São Paulo), espaço onde circula diariamente mais de 200 mil pessoas, onde 75% são pessoas que nunca tiveram acesso e nenhum contato com uma expressão artística, a Trupe vem promovendo o encontro com o sonho antigo de que a arte é direito de todos e dever do poder público em fomentar ações que possibilitam esta experiência. A Trupe Sinhá Zózima passou por vários estados brasileiros e também no continente europeu e sempre, desde sua origem faz questão de dizer: foi formada pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul! Pelo carinho, respeito, confiança que a instituição, seus mestres, alunos e funcionários sempre tiveram conosco. Mas, principalmente, pela oportunidade de aprendizado, de acesso a arte, pois vivemos num pais que o acesso á arte é cada vez mais privilégio de poucos.
Saber por exemplo que a bolsa estudo foi cortada para alunos que não residem em São Caetano do Sul, é saber que um passo foi dado para trás, que o acesso não será mais permitido, é saber que um dos fundadores da Trupe Sinhá Zózima que mora no extremo leste de São Paulo, que viajava cinco horas por dia para ir a Fundação das Artes não conseguiria finalizar seus estudos, pois por um ano e meio este auxílio fomentou seus estudos, fomentou o seu encontro com estudantes de São Caetano do Sul, fomentou a esperança que o Teatro no ônibus seria possível, que o encontro de alunos de São Paulo, São Bernardo do Campo e São Caetanos do Sul na Fundação das Artes formaria a Trupe Sinhá Zózima e a realização de mais de quatrocentas apresentações pelo Brasil e mundo a fora, o encontro com mais de 12.800 passageiros espectadores.
Por esse e outros cortes é que repudiamos esta ação e pedimos diálogo, soluções, força de vontade e reflexão do poder público, dos artistas e da sociedade. A Trupe Sinhá Zózima está à disposição, está atenta, estamos com os alunos, mestres e ex-alunos. Estamos e sempre estaremos pelo direito ao acesso e o encontro da arte com o cidadão, independente de onde ele esteja, pois lutamos por um teatro do encontro sem fronteiras.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Manifesto de ex-alunos da Fundação das Artes

A Fundação das Artes de São Caetano é uma escola ímpar na formação de artistas e cidadãos. É uma escola que forma artistas, mas para que esta formação aconteça plenamente a formação do cidadão é trabalhado firmemente, uma vez que o artista em sua plena ação deve ter a consc...iência para o coletivo e não preocuparse com o individual. Este é um momento muito sério na história da Instituição de ensino de artes Fundação das Artes. Meses atrás a cidade passou por um turbulento período eleitoral em que todos ACREDITARAM que seria de mudanças e novas propostas.
Mas o que estamos presenciando no setor da Cultura na cidade de São Caetano do Sul é completamente inverso. Não houve diálogo para a formação da nova equipe e a equipe de coordenadores, alguns atuantes há dezessete anos foram destituídos do cargo. Não são os chamados cargos de confiança, são professores que vestiram a camisa e com certeza abriram mão de coisas para exercer com afinco as propostas do que esperamos que seja uma escola de artes. A Fundação sempre teve problemas com o espaço, hoje a coisa se dificultou ainda mais, pois os espaços anteriormente conquistados também foram tirados da administração da escola. Onde os alunos se apresentarão? Nos auditórios das escolas municipais? Eles não terão a experiência do que é apresentar-se em espaço com luz cênica, por exemplo? E as questões acústicas para a Escola de Música? Os alunos se apresentarão em espaços inadequados para os recitais e concertos?
Entendemos que a arte está em todo lugar, mas para uma formação ampla condições mínimas devem ser observadas. O Teatro Timochenco Wehbi (um dos grandes professores da Escola de Teatro e dramaturgo reconhecido internacionalmente) está interditado e mesmo interditado tem aulas. A gestão fala em regularizar o que não está regularizado, mas questões mínimas não são observadas. Os gestores atuais e direção pedagógica parecem desconhecer a natureza da criação artística e principalmnente da formação do artista. A Escola por natureza é uma produtora de artes, a produção é fruto de processos pedagógicos que visam a formação do artista. Não teremos mais as montagens teatrais nom caráter que eram com uma preocupação em proprocionar para o aluno uma vivência do que é de fato uma temporada de teatro?
A ESCOLA PRODUZ ARTE, É INERENTE A ELA PRODUZIR. A Escola sempre foi representada nacionalmente pelos alunos em encontros artísiticos variados, inclusive com grande visibilidade e reconhecimento da qualidade do trabalho. A Escola de Dança já criou coreografias que foi vencedora em edições do Festival de Joinville, que é referência mundial na dança. Alunos de Artes Visuais já foram escolhidos para participar de exposições internacionais. Sem contar o respeito que a Escola de Música tem perante toda a academia de artes no Brasil. E isso é produção artística. Ela deve ser incentivada e não disseminada.
A Fundação das Artes nunca foi nem nunca será uma escolinha. ELA É UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO DE ARTES. ELA PROMOVE O ACESSO À ARTE. ELA É UM PATRIMÔNIO CULTURAL E DEVE SER TRATADA COMO TAL. Pedimos que as autoridades públicas do município de São Caetano do Sul ou não intercedam pela manutenção da arte. Num país onde a arte é tão marginalizada lugares como a Fundação das Artes tornam-se um lugar de resistência. RESISTIREMOS TODOS. Cabe a nós defender a história e o legado da Fundação das Artes.